Culto dos vivos e dos mortos

Celebrámos no dia 1 de novembro mais um Dia de Todos os Santos. Alindaram-se os cemitérios, visitaram as campas, participou-se no chamado compasso, é incontornável que em dia dos vivos recordarem os que já partiram, o sentimento de perda e de saudade ganhe outra expressão.

O cemitério local como sempre, paradoxalmente, um lugar de morte ganhou vida. Uma vida efémera que dura alguns dias enquanto se limpa e adorna as campas, depois deste Dia de Todos os Santos, as flores vão murchando, como a vontade dos que só nesta altura se preocupam em mantê-las frescas e viscosas. Afinal a vida continua e para o ano haverá outro Dia de Todos os Santos para voltarmos a repetir o ritual e cumprir a tradição, que em algumas zonas marca a diferença com as crianças a cantar de porta em porta, tal como as pessoas fazem no Natal. As crianças saem de manhã e batem de porta em porta, pedindo por “bolinho” ou “pão de Deus”. É semelhante ao Halloween noutros países, onde as crianças pedem doces. No passado, as crianças de Portugal recebiam bolos, nozes, amêndoas, pão, biscoitos, castanhas ou frutas desidratadas embrulhadas em sacos de pano. Os sacos eram bordados ou feitos de remendos. Hoje em dia, as crianças recebem doces, chocolates ou dinheiro. Além disso, as famílias acendem velas em memória dos falecidos. Alguns serviços da igreja leem os nomes dos mortos antes de acender as velas. As oferendas também são feitas para honrar os mortos em algumas congregações.

Por cá, a tradição ainda continua a ser o que era


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