Dias de Todos os Santos e Finados

É assim todos os anos na manhã de 1 de novembro, muitos paulenses residentes e não residentes saem de casa para entrar no cemitério do Paul e é assim em todo país ressalvando-se pequenas variações que se vive o Dia de Todos os Santos, em Portugal, sendo preciso recuar até ao tempo dos celtas para conhecermos a sua na origem.

Com efeito, esta celebração começou com o povo celta que passou pelo território que é hoje Portugal celebrava o arranque do inverno com dois objetivos: apaziguar os poderes do outro mundo – isto é, as forças do Além, onde estariam as almas dos mortos – e pedir a abundância nas colheitas futuras, numa festa que intitularam de “Samhain” celebrado aquando da chegada do inverno, quando a natureza parecia estar “adormecida”. Os celtas à época usavam um calendário lunar que dividia o ano em duas épocas, quente e fria. Depois de tempos de fertilidade, era altura de manter a esperança em boas colheitas. Como? Acendendo a tal fogueira, contrariando o ambiente sombrio da noite que chegava cedo, organizando verdadeiros banquetes e bebendo “até perder a razão”.

Nem sempre foi assim. Para a igreja, o Dia de Todos os Santos, nasceu quando Gregório IV estava à frente à Igreja Católica. Estávamos no ano 835 d.C. O processo de Cristianização – conversão ao credo cristão – continuava através da proliferação dos ensinamentos dispostos na Bíblia. Foi por isso que o Papa Gregório IV escolheu o dia 1 de novembro para celebrar todos aqueles que morreram com “uma vida plenamente realizada, que são exemplos de vida e estão na glória de Deus”. Neste dia, acredita-se que a fronteira entre a vida na Terra e a vida divina estava enfraquecida e, portanto, podia haver “contacto entre os vivos e os mortos do Além”, afinal era e é uma forma de homenagear “os heróis da fé”.

Na atualidade este Dia de Todos os Santos, está entre um dia importado do continente americano que o antecede e a ganhar terreno na sua implementação que é o Dia das Bruxas mais conhecido por Halloween e o dia seguinte, o Dia de Finados. O 1 de Novembro ficou marcado também pelo terramoto de 1755, que sacudiu Lisboa e destruiu grande parte da capital. Neste dia que marca a história do país milhares de pessoas, assistiam às missas do Dia de Todos os Santos. A partir daí, e para assinalar a data que destruiu as casas de várias pessoas atirando-as para a pobreza, as crianças corriam as ruas a pedir “Pão por Deus” para receber comida, uma tradição hoje em dia já quase esquecida.

Na vila do Paul, a tradição mantem-se quase inalterável, o culto começa antes com o rodopio de pessoas com flores, vasos e outros artefactos a caminho do cemitério da freguesia. Este ganha uma nova vida num local onde a morte está presente. Cada um preocupa-se com a limpeza das campas de mármore dos entes queridos, acender as velas, colocar as plantas na jarra e rezar. O cemitério nesta altura sendo um local de dor e sofrimento, de tristeza e mágoa, de saudade pelos que partiram, parece ganhar novas cores que as flores lhe emprestam por uns dias.

Nem a manha deste feriado  deixa de ser aproveitada para dar os últimos retoques às campas, aos arranjos florais, depois a igreja encheu  com os presentes entres os quais estão  muitos ausentes da terra, assim fosse sempre e a igreja  tinha o seu rebanho muito aumentado e as suas eucaristias muito mais assistidas, o mesmo não se passa  com  o chamado compasso,  onde pontificam as Irmandades das Almas e do Espírito Santo e uma multidão rezando e cantando pelos que já partiram, sendo quase certo que, não há famílias que não tenham já familiares sepultados neste cemitério. Esta procissão é por assim dizer a ultima incumbência do dia, porque todos não sendo santos, querem santificar os seus mortos, relembra-los, honra-los e por breves momentos fazer-lhe companhia. Salvo seja.

Mas as solenidades da época não acabam no dia 1 de novembro, porque no dia seguinte tem lugar o Dia de Finados que celebra ainda a vida e a morte. Na verdade, o Dia dos Finados é oficialmente a 2. Com uma pequena diferença: é que os finados são aqueles que estão no purgatório à espera de julgamento antes de chegarem ao céu. Esta celebração foi implementada pelos monges de Cluny, em França, no século IX. A New Catholic Encyclopedia afirma que “durante toda a Idade Média era popular a crença de que, nesse dia, as almas no purgatório podiam aparecer em forma de fogo-fátuo, bruxa ou sapo”.

 


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